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De autor rejeitado a escritor que vende

escritor que vende

Lembro como se fosse hoje do dia em que eu decidi publicar o meu primeiro livro. Lembro ainda mais da dificuldade que foi para colocar isso em prática. Já contei isso em algumas ocasiões. Lancei um livro com pouco menos de R$ 200,00.

A metade desse valor foi para pagar a um diagramador que fez um preço bem camarada para mim. O restante foi para cobrir custos de 4 exemplares iniciais que imprimi para fazer vitrine. A arte de capa eu ganhei da amiga Dayana (guardo o arquivo em Corel até hoje). O amigo Isac deu uma ajuda com a gramática.

Subi o PDF do livro numa plataforma de auto publicação e comecei a divulgar para amigos e conhecidos. Explicava para as pessoas como se comprava no site. O interessado deveria pagar o valor do livro + o frete para a editora imprimir e enviar para o endereço dele. Foi assim que dei o start na minha carreira de autor. Vendi quase 100 exemplares dessa forma, no período de 12 meses.

Mas a história não começa aí. Mais ou menos 5 anos antes eu já havia batido em portas de editoras que poderiam publicar o que escrevi. Todas, eu disse todas, fecharam as portas para mim. Lembro claramente da forma como fui tratado em uma delas. O dono nem olhou na minha cara. “É R$ 5.000 para publicar alguma coisa”, disse ele em tom arrogante enquanto digitava no seu Mac e fumava um charuto.

Voltei para casa triste, mas decidido a tentar mais uma vez. No entanto, sem saber como seguir em frente, esperei até encontrar maneiras de tirar as ideias do papel. Em 2013 virei autor independente e lancei a primeira obra da forma mais simples possível, como expliquei.

Dando um salto no tempo, chegamos em 2017, onde a DVS Editora, diferente das editoras que fecharam as portas, me convida para ser um de seus autores. Um marco na carreira, sem dúvidas, mas bate aquela preocupação: “Será que o livro vai vender?” “Será que vão gostar do que escrevi?”.

A resposta vem em um pouco mais de 1 mês após o lançamento: o livro esgota tiragens em livrarias como Amazon, Saraiva e Livraria Cultura. No mesmo período, zero duas caixas cheias, vendendo de mão em mão.

Acabo de chegar de um evento onde o livro vendeu consideravelmente. Pessoas chegaram a ficar sem porque os exemplares se foram em tempo recorde. Detalhe: não estamos falando de um livro nos moldes populares.

Um dia depois do evento, recebo a seguinte mensagem do meu editor:

O livro tem sido bem aceito já que estamos recebendo pedidos de consignação em sequência, o que mostra que os exemplares têm saído. Na livraria Cultura da Avenida Paulista, por exemplo, pediram uns 30 e depois mais 30, isso num espaço de dias. As lojas físicas estão gostando, se continuar assim, você vai longe. Já pode começar a pensar no próximo livro.

À noite, na hora de dormir, lembro das portas fechadas e das palavras contrárias que me vieram quando decidi virar escritor. Tantas barreiras, tantas lutas. Uma lágrima rola no escuro e, em seguida, uma onda de sentimentos bons. Entre eles, a gratidão. Gratidão a Deus, a vida e a quem me estendeu a mão.

Vem à mente a palavra que eu ouço desde minha infância:

Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. — Salmos 126: 5,6.

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